Publicado em Pessoal

Minha pessoa

Quem já assistiu Grey’s anatomy sabe que a Christina e a Meredith são “a pessoa” uma da outra. Elas podem contar uma com a outra pra tudo, pra compartilhar aquele pensamento que temos vergonha de admitir, pra desabafar, pra comemorar, tudo mesmo.

Eu também tenho uma pessoa, ela é a minha irmã. A Maria Carolina é 5 anos mais nova do que eu, ela está com quase 22 e eu com quase 27. Tem horas que parece que temos a mesma idade e tem horas que bate aquele sentimento super protetor e eu acho que ela ainda é criança. Gente, eu sou irmã mais velha, me deixem!

Quado éramos crianças essa diferença pesava porque eu não queria tê-la por perto porque ela era chata e muito pequena, e ela queria ficar grudada em mim e no pessoal mais velho, porque é o que os irmãos mais novos fazem. rs Eu sei que eu era chata com ela também, mas fazer o que, é assim que a vida é. Se alguém falasse pra Ana de 12 anos que aquela Maria de 7 anos seria sua melhor amiga no futuro a Ana ia cair na gargalhada. Mas o tempo passa, a gente cresce, a vida nos ensina, nos magoa, nos testa, nos surpreende.

Nós temos um irmão também, o Marco. Antigamente eu e ele éramos igual cão e gato, mas hoje encontramos um equilíbrio e nos damos muito bem. Sinto muita saudade do meu irmão e queria ter mais abertura com ele. Mas a pessoa dele é a Maria mesmo. rs Olha como essa menina é especial, ela é a pessoa de todo mundo! Vou parar pra não ficar com ciúme.

Quando perdemos nossa mãe éramos muito jovens, a Maria tinha 15 anos, o Marco 18 e eu 20. Tivemos que reaprender a viver e tivemos que nos unir, porque o peso dessa perda era pesado demais para carregarmos sozinhos. Eu tentei proteger meus irmãos do mundo, ser forte, cuidar das coisas, mas sei que falhei na missão. Tenho a consciência tranquila de que fiz o meu melhor e tenho orgulho da amizade que temos e de não termos nos separado nunca.

Eu já saí de casa há alguns anos pra morar em outros lugares, fiquei longe da minha irmã (só na casa, nunca no coração), já voltei a morar com ela depois de um tempo, já trabalhamos juntas em uma empresa e  por uns poucos meses nos víamos todos os dias quase o tempo todo. Saíamos pro trabalho juntas, nos falávamos no trabalho o dia todo, ela ia pra faculdade e eu pra casa, à noite ficávamos juntas de novo. E se alguém resolvesse ficar longe no final de semana eu já mandava mensagem dizendo que estava com saudade.

Hoje estamos o mais longe que já ficamos, tanto em quilômetros como em tempo sem nos ver, me mudei pra SP e ela continua no RJ. Me dói todo dia a saudade dela, mas quando ela me liga pra desabafar, quando eu mando mensagem naquele dia que tá difícil, quando a gente continua fofocando, comemorando as conquistas, nos amando no mesmo jeito eu sei que vai ficar tudo bem. Nenhuma distância no mundo tiraria de nós essa coisa tão especial que temos. Eu estou longe, mas metade do coração está lá.

Eu tenho muita sorte de ter os irmãos que tenho.

E tenho muita sorte de ter uma “pessoa” favorita no mundo.

ana e maria

 

 

 

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